Ouvindo Peter Bradley, ali.


Eu já fui uma pessoa dessas bem esquentada. Mesmo. Não sei dizer se melhorei muito, mas acalmei um pouco. O fato é que essa calma talvez tenha a ver com essa tal dessa maturidade, que a gente ganha com o tempo, essa coisa de tentar se colocar no lugar do outro e procurar se sentir como o outro sente. Mesmo que a gente acredite ter razão.

Porque com o passar do tempo a gente vai descobrindo que ter razão não é o mais importante. Ter paz, amor, amigos é. Ser uma pessoa boa. Ter a consciência tranquila.

Quem, no meio de uma discussão, pode garantir que não se esqueceu, ao menos uma vez, que do outro lado existia também um ser humano? Não falo só de "relacionamentos". Falo também do desentendimento com o vendedor  da loja da esquina.
Quem pode garantir que não quis "vencer" a briga, a peleja, a rusga,  acima de todas as coisas e exagerou, tripudiou, se excedeu muito mais que devia? Eu não posso.
Talvez esse nosso exagero tenha a ver com os nossos instintos evolutivos de sobrevivência, proteção e defesa, estilo não-mexa-comigo-eu-tenho-garras-cuidado. Mas acho que é mais. Acho que a gente veio cultivando um jeito tão competitivo de viver e de sentir que... um jeito tão competitivo de viver e de sentir quê.

Sei que meus textos às vezes são bem esquisitos. É que eu às vezes também sou. Mas é que eu tenho tentado me aproximar da perspectiva de ser uma pessoa melhor. Ou não vejo muito sentido nas coisas. Quero sorrir, mas fazer sorrir. Quero ser feliz, mas também fazer feliz. Ou qual a graça? Qual a graça de estar certa, em tudo que seja, mas afastar as pessoas com a prepotência de quem tudo sabe e se basta? Sim, eu estou falando de mim. E talvez também de você.



Acho que tenho tentado me aproximar de ser uma pessoa que se importa mais em ser e fazer feliz do que em vencer qualquer coisa. Então, muitas vezes, desisto do argumento, não porque eu pense outra coisa, mas porque amo muito mais que entrevejo. A mim, à vida, ao planeta. E se isso abalar o meu ego e a compreensão que os outros têm de mim (que sensacional!) tudo bem.

Eu não me importo mais de pedir desculpas, mesmo quando a "culpa"não é minha. Eu não me importo mais de me calar, quando o clima estiver ruim, ou de fingir até que não entendo, quando do outro lado estiver alguém que eu amo. Pois... Qual o sentido de "ganhar" apenas para perder?

Eu não estou dizendo que devemos nos anular nem que devemos abrir mão de qualquer coisa, estou dizendo que aprendi que muito mais importante que a luta é decidir por que coisas lutar.

Então não. Escolho não permitir que um transtorno de narcisismo e prepotência sopre em meu ouvido que o mais importante é "ganhar". Muitas vezes sorrirei boazinha, em silêncio. Muitas vezes vou escolher deixar pra lá. Muitas vezes vou acolher com leveza e, em outras, sabiamente decidir me afastar do que possa alterar meu humor, fazer/deixar mal, em qualquer instância que seja. São escolhas... Nossa felicidade sempre tem a ver com as escolhas. E, no fundo, acho que descobri que prefiro ser feliz a provar que estou certa. E talvez este tenha sido um dos meus maiores aprendizados na vida. Mesmo que eu não tenha razão.
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